A síndrome de ser funcionário de seu próprio negócio

Qual a semelhança entre alguns marceneiros e alguns “empresários” de diferentes especialidades? A resposta pode vir a partir de outra pergunta: Por que é tão difícil conseguir um marceneiro que atenda rápido e com qualidade ao mesmo tempo?

Uma das respostas possíveis é que a marcenaria depende muito da habilidade do marceneiro. Sendo assim, é difícil pra ele (ou ela) delegar para alguém de sua equipe (se tiver uma) algo que só ele mesmo é capaz de fazer, porque “tem o dom” acima da média de fazer bem feito. Resultado: alguns marceneiros são “empregados” (ou “funcionários”) de si mesmos e podem ter muita dificuldade para crescer seus Negócios.

A má notícia é que não são só marceneiros que têm esse problema. Muitos empresários e empresárias, dos mais variados segmentos, sofrem dessa síndrome de ser funcionário de seu próprio negócio. O resultado não é surpresa: falta de tempo para si ou para o trabalho, esgotamento físico ou mental ou emocional, acúmulo de tarefas, falta de estratégia clara para o Negócio, estagnação e falta de crescimento ou, pior, quebra ou falência da empresa.

Em alguns casos em que existem outros funcionários, o empresário (ou empreendedor, que parece uma forma melhor de definir essa pessoa) é visto mais como um colega do que como o patrão. É como se fosse duas pessoas ao mesmo tempo:

  1. O empreendedor que quer ser empresário (“papel 1“);
  2. O funcionário com interesses de dono (“papel 2“).

O empreendedor no “papel 1” é proprietário de um negócio que tem um empregado que é ele próprio (ou ela própria) no “papel 2“. A coisa se agrava quando o “papel 1” não conversa com o “papel 2“, pois esse não tem muito tempo pra isso, já que tem muita coisa pra fazer e o dinheiro precisa entrar. Aliás, o empreendedor no “papel 1” vê aquele funcionário (“papel 2“) como o ideal, alguém com os mesmos interesses, totalmente confiável, muito capacitado e totalmente comprometido. É um fortíssimo candidato a funcionário do mês, aliás, de todos os meses! Parece ótimo, mas não é. Dessa forma fica difícil quebrar esse ciclo vicioso e pernicioso fantasiado de ciclo virtuoso.

A boa notícia é que é possível mudar isso, desde que se dê o primeiro passo: perceber a necessidade de mudar. É muito difícil (às vezes impossível) mudar antes de entender de verdade que a mudança é necessária e vai trazer benefícios. E se a mudança precisa vir “de dentro” o desafio é maior, mesmo sendo tão comum, como esse caso é.

Depois será preciso dar os próximos passos e definir novas metas, porque sem ação efetiva nada vai se transformar. Essa fase é repleta de outros desafios como, por exemplo, delegar funções. Ou talvez os desafios possam ser vencidos com o esforço solitário do empreendedor ou ele pode precisar buscar apoio especializado para conseguir melhorar ou conquistar novas Competências. Pode ser que ele precise de mais conhecimento, então o caminho será fazer cursos, uma graduação, uma especialização, um MBA, participar de treinamentos, ler livros ou manuais. Ou talvez ele precise melhorar habilidades e deverá buscar workshops, mentorias ou, simplesmente, aplicar melhor os conhecimentos que já tem. Ou então a questão é mudar ou ajustar Atitudes e comportamentos presentes mirando no futuro. Nesse caso deve observar a si mesmo ou pedir ajuda a conhecidos capazes ou, indo além, pode buscar o apoio profissional de um coach executivo ou de negócios de confiança.

Aí então a gente vai poder deixar de falar com o marceneiro para, finalmente, negociar diretamente com aquele Empresário, dono da Marcenaria.

Copyright David P Howard and licensed for reuse under a Creative Commons Licence.


Publicado também no LinkedIn: https://www.linkedin.com/pulse/s%C3%ADndrome-de-ser-funcion%C3%A1rio-seu-pr%C3%B3prio-neg%C3%B3cio-claytom-valle/

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